sexta-feira, março 07, 2008

Alert em Maio no Hospital de Caldas

A partir da segunda quinzena de Maio as urgências do Hospital Distrital das Caldas da Rainha vão ter implementado o sistema “Alert”, que informatizam todo o processo de cada um dos doentes que entram naquela unidade de saúde.
Manuel Nobre, director clínico e membro do conselho de administração do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, (CHCR), pede “alguma calma” e assume que possam “haver alguns atrasos” nas consultas aos utentes que recorram à unidade durante a partir daquele mês, mas assegura que “será benéfico para ambos os lados”, clínicos e doentes.
“Este sistema é uma melhoria no serviço, mas de início trará alguns constrangimentos. Toda a metodologia demora algum tempo para que as pessoas se integrem e por isso prevemos e pedidos para que haja alguma calma por parte dos utentes, porque prevemos um aumento do tempo de demora no atendimento”.
Envolvidos neste processo de implementação Alert, vão estar pessoal médico, administrativos, enfermeiros, técnicos de radiologia, auxiliares de acção médica, técnicos de patologia clínica, e outras especialidades num total de mais de três centenas de pessoas que vão receber formação a partir do dia 26 de Fevereiro em turmas de oito horas e de dezasseis horas no caso dos enfermeiros porque fazem a triagem de Manchester com este novo sistema, sublinhou o enfermeiro chefe, Júlio Branco.
A implementação do “Alert” está prevista de forma progressiva até 2009, num processo de informatização das urgências, com todos os dados clínicos dos doentes a serem inseridos numa base de dados.
“É uma mudança significativa onde se traz as novas tecnologias para os Hospitais. Com este sistema, todos os dados ficam à disposição dos clínicos”, disse o Manuel Nobre que considera este sistema o “Big Brother” dos hospitais.
“É o Big Brother nos hospitais”, frisa o director clínico que atesta que o sistema Alert “terá uma informação rápida para o exterior e o acesso à informação de historial clínico é mais rápido e o registo exaustivo daquilo que se praticou em qualquer pessoa”. “Saberemos se demorou cinco minutos ou cinco horas o tratamento ao doente e porquê”.
A vinda deste recurso para o serviço de urgência não vai alterar a forma de recepção do doente, mas “vamos tentar estabelecer mais prioridades acrescidas à triagem de Manchester, porque em qualquer momento vamos saber onde está o doente, pudemos facilmente saber se foi administrado, qual o tipo medicamento. Sabemos onde está o exame, a analise e o porquê de eventuais atrasos. Temos maior acessibilidade em saber o que falhou e onde se atrasou no processo”.
“Este sistema vai identificar melhor as eventuais falhas”, sublinha por outro lado o enfermeiro Júlio Branco, que quer “diminuir o número de falhas, porque tudo se torna mais claro”.
A Informação registada e visualizável inclui não só aspectos clínicos, mas também exames de diagnóstico e terapêutica, dados administrativos, assistência social, auxiliares de acção médica e direcção clínica e administrativa.
Os intervenientes no serviço de urgência “têm acesso a níveis de informação diferenciados, de acordo com as suas competências, através de perfis de utilizador aos quais acedem pela identificação da respectiva impressão digital”, lembra a médica Margarida Melo.
O interface gráfico é inovador e intuitivo e o hardware utilizado é composto por monitores “touch screen”, diminuindo o uso de teclado. O software incorpora um “sistema de alertas que assegura a capacidade de vigilância sobre os doentes e exibe uma lista de tarefas por realizar”, explicou a directora do serviço de urgência.
Margarida Melo também cirurgiã elogia o sistema e considera que não são só apenas os dados clínicos passam para esta base de dados, mas também toda a terapêutica.
“Haverá um controlo muito mais apertado para os médicos, mas não é o objectivo de controlo, mas sim de modernidade do serviço”, disse, acrescentando que “qualquer episódio de urgência fica logo disponível numa nova vinda por parte do doente ao hospital”.
“Este sistema é vantajoso, porque enquanto o doente estiver no serviço de urgência, é possível ao médico ou aos técnicos de saúde, terem acesso aos dados clínicos em tempo real, melhorando a qualidade de serviço, pelos vários intervenientes no processo, diminuindo assim a burocracia e aumentando a eficácia do serviço”, destaca a cirurgiã.
O objectivo é também eliminar a utilização de papel dentro da urgência do CHCR com a aplicação do Alert, já que todo o processo passa a ser computorizado.
“O hospital tem verbas para a implementação da regra “Papper Free”, onde estão como alvos os serviços da consulta externa e vão-se procurar informatizar as zonas da farmácia e do aprovisionamento e depois será o bloco operatório, o internamento, a cirurgia de ambulatório para que tudo trabalhe em rede e sem papel”.
Já a médica Margarida Melo, lembra que “não vamos ficar livres de papel numa primeira fase, porque vai ser progressiva esta adaptação, porque quando damos a informação clínica dos doentes, esta ainda vai ser em papel”. “O sistema interno é fica sem papel”, reforça.
Ainda assim o arquivo hospitalar vai continua em papel, “mas a intenção é passar tudo para digital”. “O futuro é ter um hospital “Papper free”, no limite é um hospital sem papel girando tudo em processo informático”, explica Manuel Nobre.
Está previsto que até ao final do ano, tudo passe pelo sistema informático, como são os casos de pedidos de exames, análises, RX, e uma série de tarefas que ainda são feitas por enfermeiros e auxiliares. As prescrições médicas também serão dadas pelo sistema informático.
Manuel Nobre lembra ainda que cada utente que se dirige ao serviço de urgência, principalmente em dias de grande afluência, com tudo informatizado, “levarão consigo um resumo do episódio de urgência”. Com a implementação do Alert a redução dos gastos em papel vai diminuir e logo “haverá uma poupança significativa”.
Margarida Melo explicou que com o Alert pode estar disponível para os Hospitais e Centros de Saúde da zona e apontando que há intenção, num futuro que todos os hospitais estejam ligados em rede.
Manuel Nobre assegurou por último que “não haverá dispensa de recursos humanos, pelo contrário”, havendo apenas um decréscimo no secretariado de unidade, aumentando o número de auxiliares junto dos doentes.
Vão ser colocados alguns postos Alert para consulta dos utentes, na sala de utilização comum, para os utentes saberem como funciona o sistema e terem informações básicas do modo como está a funcionar o serviço de urgência do Hospital das Caldas.
A nível de gestão com este sistema fica-se também a saber a quantidade de medicamentos mais utilizados e com isso um melhor controlo de stock.
“A gestão actual é por objectivos e para ser mais eficiente e mais eficaz, queremos saber o que se passa dentro da nossa instituição e com o Alert sabemos dia a dia o que se está a gastar”, concluiu Manuel Nobre.

Carlos Barroso

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