A partir deste ano a Autoridade Nacional de Protecção Civil vai deixar de interromper o período de actividade do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF). Uma directiva nacional, apresentada no dia 12 de Fevereiro, que estabelece que os meios de vigilância, detecção e combate estarão prontos a intervir de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro.Dividida em cinco fases, a directiva amplia o período de maior risco de incêndio, que passa a vigorar entre 1 de Julho e 30 de Setembro. Nesta fase estarão disponíveis 9514 homens, 2249 veículos e 56 meios aéreos. Nas épocas de menor perigo, de 1 de Janeiro a 14 de Maio e 16 de
Outubro a 31 de Dezembro, os meios humanos e veículos “serão accionados conforme o perigo” e estarão entre “dois a sete meios aéreos” prontos a responder a qualquer eventualidade.A directiva operacional surge porque “devido às alterações climáticas a época de risco aumentou, tal como se viu em 2007”, afirmou o ministro da Administração Interna, Rui Pereira. Recorde-se que em 2007 arderam 20 mil hectares de área florestal, menos 92% do que a média dos últimos cinco anos. Em 2008 o objectivo é baixar dos cem mil.
Por coincidência, deflagrou no mesmo dia o primeiro fogo florestal do ano, às 12h40 na localidade
do Bouro, no concelho das Caldas da Rainha.De acordo com fonte do corpo de bombeiros das Caldas da Rainha, o fogo, que teve início pouco depois das 12h40 de terça-feira numa zona de eucaliptal, pinhal e de vegetação rasteira, só entrou em fase de rescaldo por voltas das 16h00, tendo terminado as operações pelas 17h35.
O fogo terá tido início num descuido durante uma queimada no meio de um terreno agrícola no Bouro, em local deserto e pouco habitado.
O combate às chamas foi realizado por quase meia centena de bombeiros, apoiados por uma dúzia de viaturas, dos soldados da paz de Caldas da Rainha, São Martinho do Porto, Óbidos, Alcobaça e Benedita.
Terão ardido cerca de oito hectares de mato indiferenciado e eucaliptal. Uma casa de habitação abandonada também sentiu o calor das chamas.Porém o combate do fogo foi dificultado pelas rajadas de vento forte que provocou uma dispersão de meios e projecções que fizeram outros focos de incêndio que assustaram alguns populares que tem terrenos no local e habitam nas proximidades.
Não fosse a ajuda dos populares, de bombeiros mais velhos e experientes, de militares do SEPNA, de militares do posto da GNR das Caldas e mesmo do próprio comandante da GNR das Caldas as chamas teriam consumido bem mais área, já que atreveram-se a apagar o fogo de batedor na mão. Também um dirigente da Associação Humanitária esteve no local e andou de batedor na mão e fez movimentar o jipe de comando para este não ser apanhado pelas chamas, tal qual fez o veículo da GNR que estava no local.
Durante o combate uma bombeira terá caído e por isso ficou ferido com pouca gravidade numa perna e pé.
No dia seguinte, cerca das 13h10, os soldados da paz das Caldas foram chamados para o mesmo local, devido a um reacendimento, tendo controlado imediatamente as chamas, com doze homens apoiados por três viaturas. As operações no dia 13, foram terminadas por volta das 15h20, disse a mesma fonte do corpo de bombeiros das Caldas.
Carlos Barroso
Sem comentários:
Enviar um comentário