
Daniel Bessa, o professor e antigo ministro da economia durante o semestre de Outubro de 95 e Março de 96 e que o antigo ministro da saúde, Correia de Campos pediu para fazer um estudo que indicasse a melhor localização para o Hospital Oeste Norte, (HON) assumiu à margem do jantar organizado pela AIRO que errou na escolha de Alfeizerão em vez de Caldas da Rainha.
“Desgraçadamente a escolha caiu no concelho do vizinho. Eu não tenho culpa. Eu não fiz nada a ninguém. Eu tive de escolher entre dois terrenos a poucos quilómetros um do outro e por acaso caiu ali, porque a poucos quilómetros não há escolha nenhuma. Tive azar”, afirmou perante cerca de uma centena de políticos, industriais e comerciantes.
Esta declaração vem depois de José Marques Serralheiro, o mentor do HON ter intervido e pedido para que “os caldenses tenham mais orgulho no Hospital Termal e sonhar mais com projectos na saúde”, referindo ao seu projecto, aproveitando desta forma a presença de Daniel Bessa que o queria colocar em Alcobaça, quando este o pretende nas Caldas.
Também Luís Ribeiro, presidente da mesa da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha esteve presente e perante algumas afirmações de Daniel Bessa disse que “o Hospital Termal das Caldas é mais do que uma simples unidade que pode potenciar o termalismo de lazer”.
Já mais crítico, Jorge Sobral, actual presidente da concelhia do PS chamou à atenção de Daniel Bessa para o facto que “comparar a unidade termal das Caldas com outra qualquer pode ser um problema”.
Emendando a mão, Daniel Bessa declarou estar de acordo que “um dos maiores activos das Caldas são as termas”, pedindo contudo para ser dado ao activo “a utilização mais adequada e que permita dar o seu desenvolvimento”, esperando ainda que “haja a aspiração de ter Hospital de um lado e Termas do outro”.
O professor confessou ainda depois das intervenções de Jorge Sobral e de Luís Ribeiro que “já disse muito do Hospital Termal e já me arrependi”, fazendo notar no entanto que nesse seu atrevimento patenteasse que “os Hospitais estão lá e as residenciais fecharam todas e por isso não está tudo bem”.
“A vertente turística nunca foi aproveitada pelas Caldas, nem é uma equipa do sistema nacional de saúde que tem as competências necessárias para puxar por uma vertente turística. É uma razão estratégica”.
Quanto ao estudo e à localização do HON nas Caldas e sem falar aos jornalistas no final da sessão, Daniel Bessa afirmou durante a palestra que era para ser sobre o comércio e indústria que “o critério de decisão, é calculado em tempo médio de deslocação”, justificando que “vou colocar o equipamento onde reduzo o tempo médio de deslocação”. “Há-de ficar à porta de uns e a quilómetros de outros”.
Porém apontou que o terreno apresentado pelas Caldas não era o mais indicado, já que disse que teve “azar de ter de escolher entre dois terrenos e o do concelho de Caldas para norte esticou pouco”, assumindo que não foi “sensível à potencialidade do único centro urbano que são Caldas da Rainha”. “É onde está o Hospital e é onde tem de ficar”, afirmou.
Confrontado com todos estes dados, Fernando Costa declarou que o professor Daniel Bessa tem um erro nas contas e que deverá emendar.
“Concordo com os critérios que foram usados, porque se deve escolher o local que melhor serve a população e escolhido esse local o presidente da Câmara terá de o aceitar. Só que o professor Daniel Bessa tem um erro no estudo dele, porque o ponto que melhor serve os concelhos de Alcobaça, Nazaré, Caldas, Óbidos, Bombarral, Peniche, Lourinha, Rio Maior e Cadaval, não é Alfeizerão. Pode ser Caldas, perto de Óbidos. Em Alfeizerão não vivem mais de 60 mil pessoas e abaixo disso vivem neste conjunto de oito concelhos, mais de 120 mil pessoas”.
O autarca das Caldas que agora une força a sul para derrotar o norte do Oeste onde parece esta solitário Gonçalves Sapinho, justificou que a escolha do terreno dos Texugos para contrariar Alfeizerão ficou-se a dever que ao “equivoco da equipa de Daniel Bessa porque puxava o hospital para norte”, e assim “disponibilizamos o terreno mais a norte da cidade para ser mais equilibrado”.
Mais confiante na localização do HON nas Caldas Fernando Costa já disponibilizou o terreno da Matel e em redor para a construção da unidade, já que tem a certeza que “o Hospital é nas Caldas, ou nas Caldas-Óbidos”.
O presidente da Câmara das Caldas, aproveitou ainda o aniversário dos Pimpões que teve a presença do novo governador civil para arranjar mais aliados, já que este membro do Governo é médico.
“Os critérios dão Caldas da Rainha como escolha, mas também seria penoso para os munícipes de Peniche, Caldas, Óbidos, Bombarral, Lourinhã e Cadaval, pagarem portagem para irem ao Hospital”, se a unidade ficar localizada em Alfeizerão, argumentou, pedindo “consenso na decisão”.
O Governador Civil de Leiria, Paiva de Carvalho disse em exclusivo ao FOTONEWSOESTE que ainda “não sabe como pode ajudar”, mas invocou que “Caldas tem um papel muito importante nessa matéria e não deixaremos que isso seja tido em conta, como Caldas merece”, disse, frisando que “das poucas indicações que tenho é que Caldas terá uma indicação favorável”, para a localização do HON.
Perante estas declarações e movimentações pode-se concluir que Daniel Bessa arrependeu-se e Caldas ganhou o Hospital, sabendo-se que ainda é cedo para cantar vitória para o lado das termas por o Governo terá a última palavra quanto à localização.
Carlos Barroso
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