Foi aprovado pela maioria dos deputados municipais caldenses que as paredes do Hotel Lisbonense podem ser demolidas, depois da empresa FDO ter apresentado aos eleitos do concelho um estudo que dá conta das anomalias e da sustentabilidade do edifício em ruínas há várias décadas.Em contrapartida a empresa diz que o Hotel passará a ser de quatro estrelas em vez das três inicialmente previstas e os deputados querem que a empresa pague mais de um milhão de euros se deixar cair mais alguma das paredes, para além das duas que pede para fazer a obra.Esta conclusão chegou após duas horas e meia de discussão e de troca de argumentos entre deputados e presidente da Câmara.Mário Pacheco, do PS, foi quem levantou mais dúvidas sobre o processo, enquanto que Manuel Isaac, do CDS-PP, foi o que mais apoiou a ideia de demolição do edifício. A proposta apresentada pelo PSD, depois de uma reunião da primeira comissão, foi aprovada com 25 votos a favor (PSD e CDS-PP), quatro contra (PS) e uma abstenção (CDU). O elenco camarário poderá assim autorizar a empresa FDO a construir um novo hotel de quatro estrelas a partir de duas das quatro paredes originais do Hotel Lisbonense, e em contrapartida são demolidas as fachadas poente e sul do edifício. É exigida ao construtor a qualificação do hotel para quatro estrelas, com mais 100 lugares de estacionamento, e uma caução de 1,25 milhões de euros como garantia da manutenção das restantes duas paredes. Manuel Isaac lembrou que o que está em causa “é uma decisão politica”, sustentando que “se se pode conservar alguma coisa do Lisbonense muito bem, senão deve-se fazer de novo”. “Eu estou farto de ver património das Caldas degradado, a cair e ninguém dá solução”, frisou o deputado. Manuel Isaac não acha correcto comparar os pavilhões do Parque com o edifício do Lisbonense, porque são construções completamente diferentes, sublinhando que “voto na mesma favoravelmente se o edifício tiver de vir todo abaixo”.O deputado do CDS-PP não quer que o Lisbonense seja outra Casa da Cultura, que “começou a ser recuperada e ficou em quatro paredes, sem nada à vista”, interrogando por isso “se não há memória da Casa da Cultura”,
preferindo um hotel nas Caldas da Rainha que “dignifique a cidade, do que aquelas ruínas que lá estão”,Do lado do PSD, Alberto Pereira e Lalanda Ribeiro recordaram uma decisão da Assembleia em 1999, onde era aprovado que “se o edifício fosse de todo ou impossível manter as fachadas, deveria ser aceite a construção de um edifício de raiz, mas que devia continuar a ser hotel”. Alberto Pereira sublinhou, contudo, que o seu partido quer “a todo o preço e a todo o custo, a recuperação daquele edifício e queremos a manutenção da fachada principal do edifício”.O engenheiro de formação alegou ainda que “dormiria mais descansado se forem derrubadas as paredes”, considerando que os argumentos invocados pela FDO sobre o mau estado das paredes e questões de segurança em obra “têm algum peso” na segurança dos trabalhadores. Para o líder da bancada do PSD, Lalanda Ribeiro, bastava-lhe uma fachada principal, fazendo notar que “se ficasse apenas uma fachada já ficava satisfeito”.Também o presidente da mesa da Assembleia não deixou de dar a sua opinião, tendo dito que é “claramente a favor que naquele lugar seja construído um hotel de belíssima qualidade, de quatro estrelas”.Luís Ribeiro disse que “a melhor forma de preservar a memória daquele hotel é a construção de um outro o mais rápido possível”. Vasco Oliveira, presidente da Junta de Nossa Senhora do Pópulo, perguntou aos deputados “que recordações tem um jovem com 30 anos daquele edifício”, respondendo logo de seguida que “só pode ter uma imagem degradada”.Do lado dos socialistas, Mário Pacheco e Jorge Sobral bateram-se contra a demolição da fachada do Hotel, tendo o primeiro alegado que “a reabilitação do edifício está dentro do perímetro da Zona Histórica onde existem regras”.“Para desmontar o edifício tem de se provar que não é possível reabilitar o edifício”, sublinhou.Mário Pacheco foi mais longe ao afirmar que “desta forma, amanhã também não faz sentido reabilitar os pavilhões do Parque”, já que considera que esse imóvel é mais difícil de reconstruir. O deputado defendeu que o Lisbonense é um edifício marcante nas Caldas da Rainha e é esse o “valor que interessa preservar e defender”. António Barros, da CDU, considerou que “não é chocante a reconstrução de base, mantendo tão fiel quanto possível a traça existente ou algumas inovações inseridas na paisagem existente”, apesar de se mostrar sempre contra a construção de um Centro Comercial.Referindo-se a algumas das intervenções da noite, o presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa, considerou uma “vigarice histórica” reproduzir no século XXI um edifício do século XIX e defendeu ainda assim que mantendo o alçado principal conservado “fica salvaguardada a imagem histórica do hotel”.Carlos Barroso
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