Comerciantes da Casa Monteiro e da Casa Vinagre foram à última reunião da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha para demonstrarem o seu desagrado devido ao excessivo zelo das autoridades policiais, já que foram autuados na zona de cargas e descargas por mais do que uma vez.Estes comerciante, que não estão contra o encerramento da artéria, contestam a forma como têm sido tratados pela PSP, que autua as suas viaturas, quando estas estão na paragem de cargas e descargas, argumentando que com esta atitude está a prejudicar o comércio.Ambos os comerciantes queixam-se ainda do facto do regulamento de circulação permitido na Rua dos Heróis da Grande Guerra não dar liberdade para usufruírem das garagens que possuem no Beco do Borralho.Paulo Monteiro, responsável pela empresa Monteiro, mostrou-se agradado inicialmente com um local para cargas e descargas, contudo, verifica agora que o carro da sua empresa “bem identificado, parou durante meia hora e foi presenteado com uma multa”.Paulo Monteiro pede “alguma sensibilidade” da Assembleia Municipal junto da PSP, já que “é a segunda multa” que recebe naquele local para cargas e descargas, sustentando ainda que esta sensibilização deve ser feita pelo organismo “enquanto não estão feitos os livres-trânsito prometidos pela autarquia”. “A PSP não pode andar a multar os comerciantes de qualquer maneira porque prejudica”, argumentou.O motorista da empresa Monteiro também falou na reunião da Assembleia, dizendo que “em quarenta anos de trabalho na cidade, nunca apanhei uma multa nas Caldas, quando vejo pessoas com carros ligeiros e não são multados e eu sou logo multado por lá estar dez minutos”.Carlos Luís apontou que “o sinal apenas diz cargas e descargas, não tem horário”, e por isso mesmo “não vai pagar a multa”, tendo inclusive escrito ao comissário da PSP solicitando um esclarecimento sobre a situação.Segundo fez notar, os clientes que compram carpetes “não as podem transportar até aos parques de estacionamentos, porque são produtos muito pesados. Teremos de ser nós a transportá-las até aos parques”.O motorista lembrou ainda que no Beco do Borralho a Casa Monteiro “tem uma garagem de serviço mas a Câmara sem mais nem menos tira-nos acesso”.“A Câmara fez as obras, está tudo muito bem, mas acho que deveria ter em conta os comerciantes que têm artigos pesados e dar logo documentos para que nós pudéssemos trabalhar sem termos problemas com a polícia”, manifestou.Teresa Sedas, da Casa Vinagre, reclamou também contra as condições de cargas e descargas e a impossibilidade de usar duas garagens licenciadas no Beco do Borralho.“Só posso sair até às dez da manhã e só posso voltar depois das 19 horas, o que não é justo”, disse, indicando que tem sete postos de trabalho que “estão em perigo” por não ter o que dar de fazer aos funcionários, já que a maior parte deles labora na parte de assistência técnica e reparações de materiais.Mário Pacheco, do PS, defendeu que “os comerciantes não devem pagar multas porque há uma ilegalidade”, afirmou, dizendo que “o trânsito é uma competência da Assembleia Municipal” e quanto à Rua dos Heróis da Grande Guerra “ainda não foi aprovada a sua regulamentação”.Também Manuel Isaac, do CDS-PP, e António Barros, da CDU, defenderam que os comerciantes não devem pagar as multas, sustentando que “andamos a votar sinais para uns locais e de um momento para o outro metem outros sinais e nós não temos de votar”. “Os sinais não tem validade jurídica” vincaram.Manuel Isaac sugeriu que haja uma reunião com as entidades que regulamentam o trânsito para que “não haja deste tipo de problemas”, defendendo o encerramento da Rua dos Heróis da Grande Guerra.António Barros lembrou que “a Assembleia nunca aprovou o encerramento do trânsito na Rua dos Heróis da Grande Guerra”, acrescentando que “quando tal acontecer o regulamento de cargas e descargas deve ser cumprido por todos”, dando como exemplo “os carros de valores que fazerem circulação na rua a qualquer hora e em sentido contrário”, acusando desta forma a polícia, que “nestas situações não intervém”, denunciou.Luís Ribeiro, presidente da mesa da Assembleia Municipal, avisou os deputados que “os sinais estejam ou não regulamentados são para cumprir”. “As pessoas não podem acreditar naquilo que os senhores deputados estão a dizer e devem assumir, porque eu garanto que quem não respeitar um sinal que não esteja regulamentado é penalizado”, disse.Lalanda Ribeiro lembrou um documento que deu entrada na ordem de trabalhos naquela mesma reunião, para conhecimento dos deputados, sobre “sinalização na Rua dos Heróis da Grande Guerra”.O líder da bancada social-democrata recordou também que “o regulamento de cargas e descargas para aquela artéria já tinha sido aprovado pela Assembleia Municipal”, em Maio, estando agora em inquérito público.Por este motivo Lalanda Ribeiro, sugeriu que as intervenções dos comerciantes “sejam carregadas para o processo de inquérito público”.Maria da Conceição, em representação da autarquia, disse que “os deputados se entusiasmam quando está publico na sala”, recordando que “mais tarde as coisas não são verdade”.A vice-presidente recordou que as deliberações na Câmara “dão legalidade aos sinais colocados pelos serviços”, afirmando ao mesmo tempo que comunga com as preocupações dos comerciantes.“Não é possível compatibilizar os interesses de todos, mas temos de encontrar a melhor solução e ter alguma razoabilidade”, disse.Entretanto, o presidente da Câmara, Fernando Costa, revelou que a autarquia “paga a um polícia para estar no início da Rua para impedir que entrem carros”.Carlos Barroso
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