terça-feira, outubro 30, 2007

Debate sobre mobilidade nas Caldas lança projectos e algumas soluções

“Melhores Ruas para as pessoas nas Caldas da Rainha” foi a ideia que a edilidade caldense quis fazer passar numa palestra realizada no Museu de ciclismo, na noite de sexta-feira, com pouco público e muitas organizações representativas da sociedade e empresas de transportes.
A principal ideia que saiu deste debate foi a do arquitecto Filipe Santos do Gabinete de Planeamento da Câmara das Caldas que apresentou algumas propostas de “reabilitação do espaço público”.
O arquitecto queixou-se que “o código da estrada não possui sinalética para algumas situações” que foram implementadas nas Caldas, como é o caso da Rua dos Heróis da Grande Guerra.
“É uma zona de teste ao peão e ao transporte público”, que será estendida “a outras artérias que testamos na Semana da Mobilidade e Dia Sem Carros”, revelou.
Filipe Santos quer encerrar a Rua Capitão Sousa e fazer escoar o trânsito pela Rua Leonel Sotto Mayor, onde se situa o Complexo Multiusos. A mudança de um para dois sentidos da Rua da Estação é outra ambição do planeador que quer ainda mudar algumas formas de circular na cidade, devolvendo “pela forma do projecto algumas Ruas às pessoas”.
Por outro lado o vereador do Planeamento, João Aboim destacou as ideias do arquitecto Filipe Santos a quando da criação do Toma.
O vereador fez uma retrospectiva daquilo que tem sido o projecto-piloto de transportes da cidade, já que a ideia “foi retirar o veículo do centro da cidade e ser usado o transporte público”.
Porém, o vereador não soube explicar à plateia se o número de carros tinha efectivamente baixado, porque as ruas foram encerradas e os carros deixaram de circular.
Ainda assim revelou que durante o primeiro mês o Toma transportou 17 mil passageiros, no segundo mês foram 18 mil utentes, no terceiro mês cerca de 15 mil e este mês, por causa das aulas, estima chegar aos 19 mil utilizadores.
“Foi uma grande surpresa”, afirmou, acrescentando que “o Toma é um ponto de encontro e uma praça em movimento”.
Das paragens mais utilizadas, destacou a Rua dos Heróis da Grande Guerra, a fonte Luminosa, Avenida e Arneiros como as “mais utilizadas”.
Para salientar esta afirmação, só a paragem na Rua dos Heróis da Grande Guerra recebeu cerca de 7761 passageiros. Os dias de maior fluxo são a segunda-feira com uma média de 874 utentes dia, a quarta-feira com 817 passageiros e a sexta-feira com 828 usuários.
Dos problemas detectados, salientou “a demora nos trocos porque, poucas pessoas compram o cartão e preferem pagar à viagem”. “São cerca de 60% dos utentes que fazem este tipo de pagamento”.
As zonas por onde passa o Toma também é um aspecto negativo e por isso, depois de ser construída a passagem no Largo da Vacum, João Aboim lançará mais uma linha em 2008 e ou estenderá o circuito ao Avenal e “à parte norte da cidade que agora ficou de fora do projecto”, reconheceu.
Outras das queixas passa pelo acesso ao autocarro, questão que o vereador não soube explicar, remetendo a solução para os operadores que também pouco tem feito para essa resolução, detectada logo no dia de inauguração do Toma, a 15 de Maio.
A falta de abrigos e bancos nas paragens foi outro dos aspectos negativos que os utentes lamentaram, e que a solução para este problema, foi justificada pela morosidade dos concursos públicos. Contudo assumiu que “antes do Inverno os abrigos serão colocados”.
Devido à procura de muitos alunos no Toma, os operadores já foram obrigados a colocar um autocarro de 55 lugares a funcionar, mas também devido a esta afluência os horários terão de ser revistos, tendo em conta que “o Toma passa em algumas escolas às 8h35, quando as aulas começam às 8h30”.
Como promoção do uso do Toma, João Aboim vai colocar junto dos comerciantes um cartão que será dado aos clientes do comércio tradicional que usem o transporte. Este cartão destinar-se-á também aos melhores alunos de várias escolas, aos utentes de parques de estacionamento periféricos que pagam o estacionamento e tem oferta deste cartão, e até como fomento turístico numa rota pelos museus e espaços públicos que forem visitados.
Questionado do porquê do não uso de veículos não amigos do ambiente, João Aboim não se quis comprometer e respondeu com uma pergunta, algo que não caiu bem a quem lhe pediu explicações, assim como aos presentes, já ficou visível a formatação que o vereador trazia para aquela acção.
A resposta a esta pergunta acabou por ser feita por Orlando Ferreira, administrador da Rodoviária, que referiu que só é possível utilizar biodiesel “quando a Galp deixar”. O administrador salientou que “é possível ter biodiesel mas o problema é da Galp que quer o mercado todo”, disse, acrescentando que “vamos fazer guerra ao biodiesel”.
Este futuro até pode estar próximo uma vez que “os autocarros em Óbidos vão utilizar” este tipo de combustível, levando Orlando Ferreira a afirmar que “se temos o apoio da Câmara de Óbidos de certeza que a das Caldas vai atrás”.
Quanto à utilização de viaturas eléctricas, sustentou serem “incompatíveis”, porque as baterias pesam mais de uma tonelada e tem de ser trocadas de cinco em cinco horas.
A contrapor esta ideia, esteve Robert Stussi, um especialista em transportes ecológico que disse que “os carros eléctricos e os transportes eléctricos se tiverem uma compensação das Câmaras são possíveis serem utilizados”, destacando que “os operadores é que não gostam muito de andar a trocar de viaturas”.
O especialista mostrou vários modelos de autocarros eléctricos, destacando um pequeno que tem uma plataforma que “ajuda as pessoas de dificuldade reduzida e pessoas com cadeiras de rodas a entrarem no veículo sozinhas”, já que mesmo também só tem cerca de 30 centímetros de altura do solo.

Carlos Barroso

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