A Assembleia Municipal de Alcobaça rejeitou na passada sexta-feira à noite todos os possíveis traçados para o TGV ao aprovar uma moção, com abstenções dos deputados do PS, que recusam peremptoriamente a proposta da Rede Ferroviária de Alta Velocidade (RAVE).A proposta do líder da bancada social-democrata, Pedro Guerra, recolheu 32 votos a favor e quatro abstenções, da bancada socialista e do deputado César Santos, que viu a sua moção rejeitada com 32 votos contra.
O presidente da Assembleia Municipal de Alcobaça, Paulo Inácio (PSD), considerou a reunião "histórica", dada a adesão dos munícipes, que obrigou à suspensão dos trabalhos e à mudança de local da reunião, manifestando que "as pessoas finalmente perceberam o que está em causa".
No encerramento da sessão, o presidente da mesa pediu uma explicação técnica da RAVE para a anulação do estudo sobre o Lote C2 entre Alenquer (Ota) e Pombal, cujo traçado passaria a Leste do concelho de Alcobaça e da Serra de Candeeiros, solução defendida na moção apresentada pelos deputados do PS."Não demonstraram, só cancelaram o estudo", afirmou Paulo Inácio, reforçando "a razão está do nosso lado e esta tragédia não vai acontecer".
Em causa estava a posição do município para o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do Lote C1 da proposta de traçado do TGV no troço entre Alenquer (Ota) e Pombal a Oeste da Serra de Candeeiros, em consulta pública até ao dia 9 de Outubro e que afecta oito das 18 freguesias do concelho de Alcobaça.
O presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, José Gonçalves Sapinho (PSD), afirmou que uma área "de 475 hectares" no concelho ficará "afecta ao TGV", explicando que, segundo o EIA, será alocada à rede ferroviária "uma faixa de 15 metros de largura", ladeada de "65 metros de cada lado".Benedita, Turquel, Évora de Alcobaça, Pataias, Alpedriz, Prazeres de Aljubarrota, S. Vicente de Aljubarrota e Cós são as freguesias incluídas no traçado do TGV.
A presidente da junta de freguesia de Benedita, Maria José Filipe (PSD), referiu-se ao TGV "como o terror na grande vila", numa posição reforçada pelo autarca de S. Vicente de Aljubarrota, Amílcar Raimundo (PSD), que diz que vai "parar o TGV, independentemente da velocidade que ele traga".
A assembleia esteve suspensa durante uma hora, para mudança do auditório geral da Biblioteca Municipal para o Cine-teatro de Alcobaça.
Durante este período, o presidente da Assembleia Municipal de Alcobaça subiu à varanda do cine-teatro e dirigindo-se aos cerca de 400 manifestantes reafirmou a vontade de prosseguir os trabalhos e apelou para a "correcção e elevação", seguindo-se um aplauso como forma de aprovação da decisão, que foi correspondido.
O Movimento Anti-TGV no concelho de Alcobaça organizou ainda uma marcha lenta de automóveis no IC2, sentido Sul/Norte, a uma média inferior a 30 quilómetros por hora, entre Vendas das Raparigas e a Moita do Poço e que juntou cerca de uma centena de viaturas.
O IC2 esteve mais condicionado e foi cortado periodicamente para a entrada e saída de viaturas na marcha lenta entre o quilómetro 80.4 na Vendas das Raparigas e a Moita do Poço no quilómetro 85.8, sentido Sul/Norte.
"Só nos damos por satisfeitos quando o governo afirmar que o TGV não passa pelo Concelho de Alcobaça" disse Bruno Letra, da organização do evento, e que teve a duração de meia hora.
"Uma das hipóteses de traçado atravessa a Freguesia, na Venda das Raparigas ao meio, e outra vai matar a Área de Localização Empresarial. Logo nem uma nem outra são a solução", defendeu Bruno Letra.
A marcha lenta foi convocada através de mensagens escritas de telemóvel e cartazes afixados na Freguesia da Benedita, Concelho de Alcobaça, segundo o também director do Centro da Juventude.
Carlos Barroso
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