O agricultor das Caldas, Orlando Jacinto Pereira que moveu uma acção judicial contra o Ministério do Ambiente, a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia do Nadadouro, com sustentação de serem responsáveis pela contaminação de solos que se tornaram inférteis na sua propriedade, na Quinta do Negrelho está a acompanhar a par e passo as obras de consolidação da margem do Rio da Cal.A intervenção no Rio da Cal por parte da CCDR-LVT, “está quase concluída”, ainda assim o proprietário do terreno que foi inundado pela quebra da mota do Rio, não se mostra totalmente satisfeito.
Orlando Jacinto Pereira, numa conversa informal, revelou que foi pedido ajuda à Câmara das Caldas nas obras de reperfilamento do leito do rio, mas não foi tão eficaz como era esperado pela CCDR-LVT.
“Trouxeram restos de alcatrão e depositaram-nos aqui”, afirma, denunciando ainda que o leito do rio enquanto correu na sua propriedades “trouxe imenso lixo, garrafões de óleo, baldes” entre outros objectos.
Orlando Jacinto Pereira manifestou-se preocupado ainda com o facto da “Vala Real estar toda tapada”, mesmo depois das obras porque “não foi contemplado o seu desassoreamento”.
O agricultor recorda que no decorrer das obras “foi feita uma mota mais alta” do lado do seu terreno e por isso teve de chamar a atenção dos técnicos, que entretanto estão a corrigir a situação.
Como está sempre no local a verificar as obras, o proprietário gostaria que a ponte em betão e que fez levantar o leito do rio, “fosse corrigida”, porque essa pode ser uma das razões para o assoreamento do Rio e o rebentamento das suas margens, na Quinta do Negrelho.
Em causa está o facto de, desde há vários anos, o Rio da Cal, que desagua na Lagoa de Óbidos, ter assoreado e “passou a estar a um nível mais alto do que o terreno”. Com o aumento do caudal e com as “areias e lixos acumulados no leito do rio, as águas tendem a galgar as margens e a invadir a minha propriedade”, recebendo assim as águas residuais da cidade, que deveriam ir dar à Lagoa de Óbidos.
Segundo Orlando Jacinto Pereira, o resultado das análises feitas ao solo e que constam da acusação apresentada em Tribunal, revelam “uma quantidade de matéria orgânica e de metais pesados que estão acumulados no subsolo e que tornam impraticável a actividade agrícola”. Com esta situação o terreno vai continuar infértil nas próximas duas décadas, de modo também a garantir a segurança dos consumidores. Na propriedade essencialmente eram colhidas cerca de 80 toneladas de milho/ano.
A situação do alcatrão foi confirmada pelos técnicos do Ministério do Ambiente que garantiram que aqueles resíduos foram colocados para dar alguma sustentabilidade ao terreno para que a máquina pudesse laborar, mas que depois de terminadas as obras “serão retirados”.
Porém as obras a cargo da CCDR-LVT estão praticamente concluídas e mostram um Rio da Cal como nunca antes foi visto. Limpo e no seu curso normal. A Foz também está agora acessível e limpa o que trouxe já muitas aves migratórias ao Braço da Barosa, como são os casos de flamingos, patos-reais, airinhos, mergulhões, corvos e garças-reais, entre outras espécies.
Recorde-se ainda que a obra de consolidação das margens, limpeza e desobstrução do troço final do Rio da Cal, numa extensão de 1,3 quilómetros, foi estendida em mais duzentos metros o que melhora substancialmente a qualidade ambiental do Rio.
Como curiosidade o empreiteiro da obra de requalificação e limpeza das margens do Rio da Cal já sofreu vários assaltos e danos. Os ladrões de gasóleo, além de levarem o combustível ainda estragam tudo que fazem muitas vezes atrasar o arranque das obras, com claros prejuízos. Espera-se agora que a vigilância seja reforçada, não só devido a estes assaltos, mas também aos senhores que andam de moto quatro e que atravessam o Braço da Barosa a grande velocidade.
Carlos Barroso
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