sexta-feira, maio 25, 2007

Anomalias e primeira cliente do Toma


Logo no dia da apresentação do Toma à população foram detectadas algumas anomalias por um utente convidado e pela primeira utente do Toma, que apanhou o transporte no Centro de Saúde.
Otília Anacleto, foi apanhada sem querer já que estava a tentar perceber o percurso dos transportes e o seu horário quando a viagem inaugural se fazia.
“Estava a tentar ver onde estava o horário, quando custa os bilhetes, onde os posso adquirir e quanto tempo de espera há, mas cheguei à conclusão que esta informação não constava. Apenas os percursos estão lá”, contou.
A primeira utente que se mostrou surpreendida pela paragem do Toma acha a iniciativa boa, embora a mesma “já deveria ter sido implementado há mais tempo. Isto é novo aqui, e em outras cidades, já é velho” retorquiu.
Para Otília Anacleto, os degraus que dão entrada ao Toma, são “um pouco alto e eu como ando de muletas se não me ajudassem tinha dificuldade em descer e em subir o autocarro”, contou, aconselhando os responsáveis a colocarem um degrau “mais baixo e um corrimão para a gente se agarrar e subir”.
Também Carlos Lourenço membro do conselho da cidade e formador no Cenfim, fez a viagem inaugural do Toma e levantou alguns problemas para pessoas com o mesmo tipo de mobilidade que o seu.
O Toma “é positivo por ter acesso a cadeira de rodas”, contudo o munícipe, fez alguns reparos aos promotores da acção, como foi o caso da barra onde se segura. “Num dos autocarros está elevada demais”, acrescentando ainda que “as rampas de acesso como em muitas coisas que se fazem, não estão pensadas para uma pessoa que se desloca em cadeira de rodas tenha autonomia”.
O formador exortou ainda que as pessoas “só valorizam a autonomia e só tem essa noção quando de facto a perdem. Quando a perdem é que tem a noção do peso que tem na vida de uma pessoa tê-la perdido. O simples gosto de ir a qualquer lado sozinho é de facto entendido quando não se tem essa possibilidade”.
Carlos Lourenço valoriza o facto de no Toma o motorista ir ajudar, lembrando também que “não haverá muitas pessoas a andarem de cadeira de rodas”, assumindo ainda que “não é justo do ponto de vista social que uma pessoa só porque anda de cadeira de rodas exija que tudo esteja preparado para se ter uma vida igual”.
O membro do conselho da cidade não vai, possivelmente andar de Toma, porque mora na Foz do Arelho e possui uma viatura adaptada, mas lembra que as rampas colocadas nas viaturas de manuseamento manual “não sendo óptimas, porque não nos dá uma plena autonomia, acabam por resolver o acesso”.
Porém nas actuais circunstâncias, “a rampas manuais colocadas nas viaturas, serão impossíveis de subir” numa artéria como a Rua dos Heróis da Grande Guerra, onde não há passeios e o piso está todo ao mesmo nível.
“É como um carro subir uma rampa muito acentuada, bate. Aqui esta cadeira se for numa rampa muito inclinada com a ausência de passeio é impossível subir” conta Carlos Lourenço.
Como conselho para a autarquia, o munícipe diz que a autarquia “deveria de ter um gabinete activo junto da população para tentar aferir da correcção dos trajectos e dos horários”.
Do lado do concessionário, Rui Vinhais da Rocaldas, explicou que tomou nota as reclamações e sugestões dos passageiros, referindo contudo que as rampas “fazem parte dos autocarros e cumprem a legislação”.
Ainda assim o responsável diz que o sistema das rampas “é o mais prático”, reconhecendo que “pode ser antiquado”.
Rui Vinhais alega que embora o motorista tenha de abandonar o seu lugar para ajudar, “irá fazê-lo com mais rapidez e mais segurança do que se a viatura estivesse equipada com rampas eléctricas ou auto pneumáticas”. Esta rampa manual é mais prática e mais manual.
Por último o representante da Rocaldas afirma que “é necessário mudar as pegas que estão instaladas mais baixo” acrescentando que “vai ser ainda aplicada uma almofada na parte de trás do autocarro e vai ser aplicado um cinto de segurança para cadeiras de rodas e carrinhos de bebé”.
Carlos Barroso

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