A FDO - Imobiliária solicitou à Câmara das Caldas a aprovação para este pedido de demolição das fachadas do Hotel Lisbonense devido “à debilitada segurança em obra e aos sinais de colapso eminente das fachadas”, sustentando este pedido com um estudo do Instituto da Construção, que ao longo de centenas de páginas acompanhadas por 64 fotografias esgrimam argumentos.Como contrapartida a FDO compromete-se a reconstruir as fachadas com a traça existente, além de manifestar que esta demolição fará passar o hotel de três para quatro estrelas além de serem garantidas “melhorias substanciais para a qualidade final deste futuro Hotel, as quais constituem uma importante maior valia para a cidade”.
Rocha Pereira, administrador da FDO Imobiliária lembrou que é intenção da empresa “realizar esta obra”, contudo “iniciadas as obras foram detectadas deficiências graves, quer nas fundações, quer nas fachadas, na actual estrutura do edifício do antigo Hotel Lisbonense pelo que há uma estabilidade precária de todo o edifício”.
O administrador referiu que foram feitos “vários ofícios à Câmara” e onde solicitam “a demolição parcial e total das fachadas sul e poente do edifício e a sua posterior reconstrução, mantendo a traça existente”.
Na base deste pedido está um estudo do Instituto da Construção do Porto, elaborado pelo engenheiro Jorge Moreira da Costa, daquele organismo que diz que “o edifício do Hotel Lisbonense apresenta uma elevada degradação estrutural e construtiva o que, em associação com o emprego de sistemas construtivos originais pouco correntes e relativamente débeis, leva a que qualquer estratégia de intervenção direccionada para a recuperação daquele deva ser perspectivada com enorme precaução”.
“Estas apresentam uma heterogeneidade apreciável de materiais e de soluções construtivas, comportamento futuro é difícil de avaliar com rigor. A estabilidade das paredes exteriores parece estar considerável mente comprometida”, refere o relatório.
Por outro lado Rocha Pereira, considera que os elementos estruturais que, “habitualmente asseguram o necessário travamento e confinamento, são inexistentes ou em material frágil ou alvenaria de elementos heterogéneos”, pelo que alerta que “qualquer trabalho que afecte as fundações deverá ser realizado com extremo cuidado e envolvera riscos apreciáveis”.
“A integração das paredes exteriores no novo edifício deverá, obrigatoriamente, ter em conta a observância das exigências dos regulamentos de eficiência energética, hipótese com possibilidade de sucesso extremamente remota”.
“Aproveitar, fundamentalmente, uma “pele” fortemente degradada, a função das paredes antigas unicamente de encerramento. Utiliza-las como elemento resistente deverá estar totalmente fora de questão”, lê-se no relatório.
Como conclusão final o estudo diz que o edifício do Hotel Lisbonense, é um imóvel cuja “actual estabilidade deriva de um funcionamento impossível de avaliar e conhecer com rigor”, pelo que os trabalhadores envolvidos nos trabalhos “estarão em ambiente com nível de risco muito elevado”.

“Qualquer peça que se retire, qualquer elemento que se insira, irá perturbar esse equilíbrio”, daí que aleguem que “garantir a segurança de trabalhadores e transeuntes devera ser um dos objectivos fundamentais, a assegurar em qualquer circunstância, devendo qualquer intervenção nas fachadas ser encarada com a máxima reserva”.
João Banazol, o arquitecto da empresa, apresentou já um projecto de alterações com as “melhorias consideráveis e sofisticação no edifício”, se as fachadas do mesmo forem demolidas.
O arquitecto lembra ainda que esta alteração “aumenta a sua categoria para quatro estrelas através da utilização de um sistema construtivo que possibilita o aumento das dimensões dos quartos para as medidas normalizadas e regulamentares de um Hotel deste nível, garantir os actuais níveis legais e regulamentares de controle térmico e acústico”, além de “aumentar em 100 o número de lugares de estacionamento previstos”.
Como sustentação da demolição das fachadas do Hotel Lisbonense, Rocha Pereira informou que ao abrigo do disposto no Plano Director Municipal das Caldas da Rainha, publicado em 18 de Junho de 2002 por Resolução de Conselho de Ministros 101/2002, nomeadamente nos termos do seu Anexo II, o Edifício do Hotel Lisbonense é descrito como “Outros Imóveis” e “Inventário Municipal” no seu número 12, não sendo assim um imóvel classificado ou em vias de classificação, logo o imóvel em causa “apenas poderá ser objecto de obras de conservação, restauro, reabilitação ou reconstrução, excepto no caso em que o grau de degradação dos elementos constitutivos do edifício justifique a sua demolição parcial ou total e determinem a necessidade de uma nova construção”.
Estas preocupações foram colocadas aos deputados da Assembleia Municipal, que tem na primeira comissão, para emitir parecer, a remodelação e requalificação do Hotel Lisbonense e construção do Centro Comercial na Avenida Manuel Figueira Freire da Câmara.
Deste modo, Lalanda Ribeiro, sustentando algumas deliberações antigas da Assembleia, apelou alguma meditação, sugerindo que os técnicos da empresa possam estar na próxima reunião para exporem algumas conclusões, já que durante a discussão poderão surgir dúvidas aos deputados, embora seja decidido na primeira comissão um parecer.
Já Fernando Costa, presidente da Câmara das Caldas, mostrou-se surpreso com esta nova situação, mas revelou que a vereação sabia do problema exposto, onde o “indeferiu”, tendo os técnicos da empresa alegado que teriam de “parar a obra”.
Posto este braço de ferro, Fernando Costa que alegou “dificuldades da Câmara em decidir”, pediu aos técnicos da FDO para explanarem na Assembleia Municipal o assunto, para que seja este órgão a decidir o futuro das fachadas do antigo Hotel Lisbonense.
O autarca das Caldas que considerou esta situação “insólita”, embora “os técnicos da Câmara soubessem da perigosidade do edifício”.
Carlos Barroso
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