O ministro das obras públicas, transportes e comunicações acusou, na abertura do III Congresso do Oeste, que decorreu em Alcobaça, o líder do PSD Luís Marque Mendes de utilizar a Ota como “arma de arremesso político” para tentar mostrar capacidade de liderança.Referindo-se a declarações do presidente do PSD quinta-feira à noite na RTP, Mário Lino disse que, “para dar um exemplo de que tinha uma liderança forte, informou que foi ele que trouxe à luta política a questão da Ota, transformando a questão numa arma de arremesso político com pretensos estudos”.
Mário Lino disse que não queria fazer referências ao PSD ou ao estado, mas reportou-se ao facto do “Dr. Marques Mendes, escolhe os sítios para aeroportos a olhar para os sítios, e não é assim, é com muitos estudos”, frisando que “estamos determinados e seguir com o projecto e é isso que vamos fazer”.
Segundo o governante, o líder do PSD, “acha que fazer oposição é escolher um tema, por exemplo, o aeroporto da Ota, e achar que isto é uma arma de arremesso político e uma matéria para se partidarizar sem nenhuma fundamentação”, afirmou, levando a maioria dos congressistas a aplaudirem as palavras do ministro que falava durante a abertura dos trabalhos do III Congresso do Oeste, realizado em Alcobaça, onde voltou a vincar que o aeroporto será na Ota.
Durante a sua intervenção de 45 minutos, centrada na defesa da construção do novo aeroporto de Lisboa na Ota, o governante em terreno amigo, considerou que as opções Poceirão ou Faias são “locais especulativos” e que obrigariam à construção de uma nova cidade.
“O raciocínio é o terreno é mais plano, pelo que há menor movimentação de terras. Penso que este raciocínio não é sério e digo-o invocando a minha qualidade de engenheiro civil, inscrito na ordem dos engenheiros”, disse Mário Lino, fazendo a plateia sorrir.
Mário Lino sustentou que na questão da Ota “devia haver consenso político”, destacando que “o actual Governo não alterou nada do que vinha dos governos anteriores”.
“Seguimos uma linha de continuidade, num projecto que reconhecemos que está atrasado. Portugal está a ter uma atracção turística e Portugal está a ter projecção turística a nível internacional. Este crescimento prova que vamos ter anos difíceis até ter este aeroporto estar a funcionar”, acredita.
Já depois do seu discurso Mário Lino não fugiu às perguntas dos jornalistas, ao admitir que “o Oeste é uma região que tem um grande potencial. Há aqui um período de desenvolvimento na costa e no ambiente rural, no turismo, na agricultura, na tecnologia. Há aqui um caminho e a Ota não foi escolhido para favorecer a Região Oeste. É o melhor sítio de todos os estudados até hoje em Portugal”.
O ministro das obras públicas admitiu ainda que “o Governo tem de olhar para estes Congressos e reuniões com harmonia daquilo que tem de ser feito”, numa região como o Oeste que abrange cerca de quatro milhões de pessoas, “vai tirar partido da localização do aeroporto e por isso não se faz um aeroporto num deserto e onde não há pessoas”.
Como conclusão disse que o aeroporto “é uma cidade aeroportuária, uma decisão que foi tomada e fundamentada, e que não foi tomada por este Governo, e sempre foi bem aceite por outros Governos”.
Sobre a linha do Oeste, o ministro disse que “está a ser estudado o problema da Linha do Oeste”, referindo que será o secretário de Estado dos transportes a dar, “dentro de pouco tempo novidades”.
Quanto à paragem da obra do IC11, Mário Lino disse o que foi parado e entretanto alterado, foi o traçado que não tem estudo de impacto ambiental. “Achamos que o processo não deveria de seguir como estava, estava uma grande confusão e retomaremos o processo no contexto das acessibilidades para esta região e no contexto do aeroporto da Ota”, afirmou.
Carlos Barroso
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