terça-feira, novembro 06, 2007

Antenas de telemóveis espalhadas pelo concelho






Cerca de meia centena de residentes do lugar da Foz do Arelho, foram à Assembleia Municipal mostrar o seu desagrado perante a instalação de uma antena de telecomunicações da operadora Vodafone, instalada em terrenos de Luís Monteiro, tesoureiro da Junta de Freguesia.
Os moradores que designaram, Fernando Gomes Gaspar como porta voz, só poderia falar pela meia noite e um quarto, no tempo destinado ao público, mas Fernando Horta, presidente da Junta de Freguesia pediu ainda de se iniciarem os trabalhos para que o elemento pudesse falar antes, alegando que haviam “muitas pessoas de idade na plateia e que a hora destinada ao público era demasiado tardia para eles”.
Tal solicitação, sensibilizou os partidos, tendo Alberto Pereira, em representação do PSD manifestado que “de uma forma excepcional é reconsiderada a condição”. Da parte do PS, Jorge Sobral, mostrou o mesmo entendimento, assim como o deputado da CDU, Joaquim Barros que aproveitou a ocasião para dizer que “a excepção qualquer dia começa a ser regra”.
Assim, Fernando Gomes Gaspar porta-voz dos moradores da Foz do Arelho mostrou “o desagrado quanto ao problema da antena de telecomunicações instalada na Foz do Arelho”, destacando que “depois de ter sido entregue um abaixo-assinado sobre o assunto na Câmara, solicito agora, informação sobre o que está a ser feito para que o mal seja reparado”.
O porta-voz informou os deputados que “não é nosso intuito acusar alguém, mas perguntamos como foi possível a colocação da antena junto de casas de habitação, no centro da aldeia. Esteticamente não há enquadramento possível para uma antena com 30 metros de altura”.
Fernando Gomes Gaspar apontou os “pareceres diferentes sobre os malefícios das radiações”, para que “não fossem os nossos filhos, os nossos netos, nem nós, as cobaias de tal experiência”.
“Sendo a instituição camarária a primeira defender os seus municípios, pretendemos que a antena seja retirada da zona habitacional e colocada noutro local”, disse.
Alberto Pereira do PSD começou por dizer que “se a vontade de uma população tão amplamente expressa com a vinda de pessoas como acontece hoje, se essa vontade existe, os eleitos locais, devem ter em consideração o que é a vontade das pessoas”.
O deputado do laranja crê que “houve uma nota de embargo na instalação da antena na Foz, destacando aquela posição como um instrumento pesado e poderoso para a Lei ser cumprida. Que se cumpra a Lei e se tire as consequências que do acto se pratique”, concluiu.
Por outro lado o deputado socialista Jorge Sobral, solicitou que o presidente da Câmara se pronuncie e “diga o que já fez depois do abaixo-assinado entregue pela população”.
O socialista lembrou porém que “se há cidadãos do concelho que se sentem ameaçados e sentem preocupações, fizeram muito bem em dirigir-se à Assembleia porque é aqui que se resolvem os problemas”, frisando que “tudo faremos para aquilo que é justo”.
António Barros, deputado da CDU, congratulou-se pela presença da população da Foz, “como exemplo daquilo que deve ser feito quando as populações não estão satisfeitas”, aconselhando mesmo que “outras a façam o mesmo e mais vezes”.
Sobre esta questão quis saber “de quem é a responsabilidade na colocação da antena”, manifestando ainda que “há questões na Foz do Arelho que surgem sem ninguém saber. Parece que há fantasmas”, denunciou.
Vasco Oliveira, presidente da Junta de Nossa Senhora do Pópulo solidarizou-se com a população da Foz do Arelho, afirmando mesmo que a antena que “está erguida dentro da aldeia não tem razão de ser”.
Vasco Oliveira que não tomou idêntica posição na instalação de antenas similares na freguesia onde é presidente há duas décadas elogiou a população “porque se mexeu muito bem. A população deve estar atenta ao impacte ambiental e à radiação. Os presidente de Junta devem defender sempre os interesses das suas populações”, disse também.
Fernando Costa, presidente da Câmara começou por referir que a antena foi aprovada por unanimidade do executivo autárquico, mas “condicionada ao aspecto visual minimizado”.
O autarca reconheceu que existe várias antenas deste tipo dentro da cidade das Caldas, como por exemplo no quartel dos Bombeiros das Caldas da Rainha, nos edifícios da Fonte Luminosa e até num prédio em frente ao Hospital Distrital das Caldas da Rainha, entre outros locais.
Fernando Costa revelou também que “ouve uma deliberação da Câmara onde foi proposto à Vodafone para encontrar outro local, mas não foi possível”. “O aspecto visual da antena ali ou noutro local é desagradável”, disse.
“A Vodafone não cumpriu com a imposição da Câmara e como tal embargou-se e notificou-se a empresa para a retirar. A Vodafone suspendeu os trabalhos e agora aguardamos que a empresa venham à Câmara para dar a conhecer outro local onde vai ser colocada a antena” explicou o presidente da autarquia.
O edil lembrou que quando estas antenas começaram a ser colocadas na cidade das Caldas, “houve na altura uma polémica sobre os efeitos médicos e que nós até suspendemos uma colocação em cima de um prédio do Bairro Azul, mas as antenas existem independente do formato”.
“Uma antena em cima de um prédio não tem a mesma dimensão que uma que parte do chão e seem antenas não há telemóveis”, argumentou.
Fernando Costa declarou que a Câmara “está atenta às normas europeia na colocação das antenas”, mas lembrou que “se uma antena faz mal na Foz do Arelho, também fazem mal as antenas que existem nas Caldas e são dezenas delas”, deu a conhecer.
O autarca lembrou uma antena similar instalada no Alto do Nobre, que não é retirada “porque não há fundamentos médicos para as retirar”.
Quanto à antena da Foz do Arelho revelou que “estamos a procurar deslocalizar a antena”, acrescentando contudo que o aparelho “é necessário”.
Fernando Costa afirmou por último que “se não for a bem vamos para os Tribunais porque de facto as recomendações de ordem estética não foram cumpridas”.
Fernando Horta, presidente da Junta de Freguesia da Foz do Arelho, solidarizou-se com a posição da população, lembrando que não está de acordo com a instalação da antena naquele local.
O presidente da Junta acredita no empenhamento da Câmara, mostrando-se contudo “nervoso com a falta de resposta por parte da Vodafone em devido tempo. Este silêncio deixa-me nervoso”, reforçou.
“A população da Foz mostrou um grande acto de civismo com a sua presença na Assembleia Municipal e está aqui um bom exemplo e por isso sinto orgulho por representar as pessoas da Foz do Arelho”, disse.
Na Foz do Arelho existe outras duas antenas de telemóveis, uma na zona da urbanização dos Moinhos e outra um pouco abaixo da discoteca Green Hill, ou seja a menos de trezentos metros da que foi instalada nos terrenos de Luís Monteiro, existem duas antenas.
Contactado o proprietário do terreno onde está a antena da “discórdia”, o também tesoureiro da Junta Luís Monteiro, preferiu aguardar para mais tarde uma posição sobre este assunto, até porque não tinha conhecimento do teor de documentos que estão a ser discutidos e analisados.
Por outro lado, está em causa um acordo com uma operadora, seja TMN, seja Vodafone, que dá cerca de seis mil euros anuais em rendas. Esta verba, cerca de 500 euros mensais, acresce ainda perto de 250 euros mensais para pagamento de electricidade, valor médio de consumo de energia de uma estação destas.
Estes acordos com condomínios de prédios e no caso da Associação Humanitária dos Bombeiros das Caldas, que tem uma antena da TMN, acabam por ser uma fonte de receita importante, além de terem recebido benefícios em telemóveis das operadoras no acto do acordo.
Na página da Internet da Vodafone, a empresa tem uma área destinada “as recomendações e normas existentes onde retrata a exposição a campos electromagnéticos que fixam os níveis de radiação, e cujos valores não devem ser ultrapassados de modo a garantir a segurança do público em geral”. Estes níveis, refere a empresa “foram apresentados após a introdução de um factor de segurança bastante elevado sobre os valores que foram determinados experimentalmente em laboratório, criando-se assim uma elevada margem de protecção”.
Segundo o publicado, os resultados das investigações realizadas até hoje, à luz do conhecimento cientifico detido actualmente, “não demonstraram a existência de quaisquer perigos para a saúde resultantes da exposição a campos electromagnéticos gerados pelas estações base de uma rede de comunicações móveis e pelos terminais móveis, conforme atesta declaração da OMS - Organização Mundial de Saúde”. A comunidade científica continua, no entanto, “a investigar todas as fontes de energia electromagnética na tentativa de eliminar todas as lacunas relativas a possíveis efeitos ainda desconhecidos. Na realidade é fácil comprovar cientificamente quando algo tem efeitos nefastos para a saúde, o contrário é no entanto impossível, mesmo após a apresentação de conclusões de 6000 estudos realizados durante os últimos 40 anos”.
No que se refere, especificamente, aos sistemas de comunicações móveis os estudos mais recentes concluem, de acordo com a evidência científica existente actualmente, que “as antenas das estações base e os telemóveis não representam um perigo para a saúde pública, desde que sejam cumpridos os níveis limites estabelecidos”.
Em Portugal, como na esmagadora maioria dos países europeus e mundiais “são seguidas as recomendações emitidas pelo ICNIRP.
Basta agora saber se as antenas colocadas junto ao Hospital das Caldas, na Fonte Luminosa, na Foz do Arelho e no quartel dos Bombeiros das Caldas e em outros locais estão a cumprir essas normas, já que a publicação das mesmas não é publicado em editais de consulta fácil da população, apesar da Vodafone, por exemplo dizer que “os níveis médios de campo electromagnético gerados são normalmente bastante inferiores ao permitido”.

Carlos Barroso

Foto 1: o local onde está implantado a antena da discórdia
Foto 2: antena em frente ao Hospital das Caldas
Foto 3: no prédio da Fonte Luminosa existem antenas e há escolas bem perto
Foto 4: existem outras antenas muito próximas à contestada na Foz do Arelho
Foto 5:
no quartel dos bombeiros, está uma antena de telemóveis dissimulada

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