Na primeira prova de fogo o presidente da Associação de Comerciantes das Caldas da Rainha e Óbidos, (ACCCRO) João Frade, passou com destinação depois de ter apresentado algumas soluções para o comércio caldense na Assembleia Municipal, apesar de ter tido como principal opositor o presidente da Câmara que quer um novo Centro de Saúde e um novo viaduto em vez das soluções apontadas pelo jovem dirigente que teve uma intervenção no ponto onde os deputados deveriam de discutir o pedido de localização do conjunto comercial denominado por “Rainha Shopping”, do Grupo Sonae Sierra.João Frade começou por dizer que o comércio caldense “tem problemas desde há muito tempo” independente da presença dos Centros Comerciais e por isso sustentou que “são urgentes as suas resoluções”, apontadas no Plano Global para o Comércio das Caldas que apresentou aos deputados Municipais.
O representante dos comerciantes lembrou os estudos da Câmara e da Associação, desde o ano de 1998, onde eram indicados, “a concorrência dos hipermercados, estacionamento, desemprego, necessidade de remodelação do tabuleiro da Praça da Fruta, mais animação de rua, maior limpeza das ruas e dos edifícios, falta de segurança e policiamento, fraca iluminação”, como os principais problemas.
Como pontos fortes num estudo exposto em 2006, mostrava “a dinâmica e aumento da população, a identidade própria da cidade ligada às termas, turismo, cerâmica e doçaria e a boa localização, já fica entre Lisboa, Leiria e Santarém, servida por auto estradas” como factores determinantes.
Nessa altura, esclareceu João Frade, “os pontos fracos eram a falta de um produto ou marca que a distinga em relação a outras localidades, um claro envelhecimento da população residente, uma taxa de desemprego a aumentar, maior formação humana, mais jovens, captação de investimentos no concelho, debilidade do o espaço urbanístico, dificuldade na circulação de peões, dificuldades de estacionamento junto à zona comercial” e por último disse que “os indicies de criminalidade são relativamente elevados apresentado um valor acima da média nacional”, expôs.
Dos aspectos que favorecem a cidade, destacou “a localização geográfica, a diversidade e concentração comercial, o Parque D. Carlos I e o Hospital Termal e a proximidade com a praia da Foz do Arelho”.
João Frade lembrou igualmente que no estudo deste ano, “77% da população preocupa-se com a falta de estacionamento, 40% com a pouca limpeza das ruas, 29% com a abertura de novas UCDR, 25% com a falta de segurança, 24% com a fraca iluminação, 20% com o excesso de lojas de chineses, 20% com a pouca sinalização e dificuldade de circulação de transito, 19% com a pouca animação de rua, 18% com as poucas iniciativas para captar turistas, 16% com o pouco arranjo das ruas e das fachadas e ainda do Centro Histórico, 13% com a falta de iniciativas culturais e 10% com a pouca flexibilidade dos horários de funcionamento”.
Como propostas da ACCCRO para a solução destes problemas, declara que o pouco estacionamento, em especial no centro da cidade se resolve “com a criação de mais parques de estacionamento junto ao centro e com preços convidativos”, numa resolução para o terceiro trimestre de 2009.
A criação de lugares com parquímetros em ruas com dificuldades de estacionamento e que “não englobem toda a rua, mas cerca de quatro a oito lugares dependendo da capacidade de cada artéria”, gostaria de ver concluído no terceiro trimestre de 2008.
Para acabar com o sentimento de insegurança a proposta da ACCCRO baseia-se “na criação de um grupo de guardas-nocturnos coordenados entre a Associação Comercial, Câmara e PSP, num horizonte limite, para o quarto trimestre de 2008”.
Para terminar com a fraca iluminação, a direcção da ACCCRO quer que sejam “colocados o maior número de candeeiros na cidade, desde que sejam atractivos, bem como a recuperação dos antigos”, até ao final do terceiro trimestre de 2008.
A pouca limpeza das ruas e fachadas de edifícios, tem de acabar no primeiro trimestre de 2008 através de “um apoio financeiro para a remoção de graffitis e cartazes ilegais por parte da ACCCRO”. Em complemento, a ACCCRO quer que “haja efectiva punição dos agentes destas contra-ordenações” e que os custos de remoção sejam suportados por parte das receitas vindas da punição dos infractores.
Sobre a necessidade de haver mais animação de rua e divulgação comercial da cidade e do concelho, João Frade pediu apoio financeiro para “a animação de rua e divulgação do comércio nas semanas que antecedem o Carnaval, Dia da Criança, Dia da Mãe, Dia do Pai, Dia dos Namorados, Páscoa, Natal e Verão”, com começo no primeiro trimestre de 2008.
Quanto à carência de sinalização, o presidente dos comerciantes pretende que no primeiro trimestre “haja uma promoção da cidade e do concelho durante todo o ano e não apenas durante a época balnear”. Quer ainda, durante o segundo trimestre que “seja criado um guia turístico e comercial do concelho” e no terceiro trimestre de 2008, deseja “colocar mapas da cidade e mapas comerciais, nos parques de estacionamento e em outros locais estratégicos”.
Sobre a carência de sinalização e circulação rodoviária, um problema para estar resolvido durante o segundo e terceiro trimestres de 2008, o representante dos comerciantes anseia “colocar mais sinalização com informação municipal e comercial nos parques de estacionamento, zonas comerciais e nas entradas do perímetro urbano até ao centro da cidade”, além vincar a pretensão já apresentada com a criação de bolsas de cargas e descargas, “já propostas pela ACCCRO”.
A urgência na requalificação das vias públicas e do centro histórico é um assunto para estar concluído no segundo ou quarto trimestre de 2009, segundo João Frade que propõem “mais ruas pedonais”, como é o caso da Rua Capitão Filipe de Sousa.
A produção de “uma cobertura nas ruas da cidade com clara apetência turística e comercial, para não ruas não estarem sujeitas ao clima” é outra das ideias, partilhadas com “o embelezamento das ruas e colocação das figuras gigantes relacionadas com a cidade”, idênticas às duas que mostram o Mestre Rafael Bordalo Pinheiro, para o primeiro trimestre de 2009, como projecto piloto.
Para o terceiro trimestre de 2008, indicam “mais zonas verdes ou a colocação de vasos de dimensões relevantes com árvores”.
Como recomendações João Frade não deixou de referir que “é importante criar um plano global para o turismo, promoção junto das entidades competentes, o arranjo e dinamização do centro histórico, aproveitar a construção do multiusos para a realização de ainda mais eventos culturais e de maior impacto, criar e promover a imagem própria do concelho, dando mesmo como exemplo o aproveitamento da imagem do Zé Povinho e ainda a imagem de Caldas da Rainha como capital dinâmica do Oeste”.
Também a “promoção da imagem das Caldas como capital da qualidade de vida”, aproveitando os bons índices de poder de compra, proximidade de praia, boas vias de comunicação, incentivando a fixação de mais campos de golfe, apoiando o turismo rural e actividades desportivas ao livre e náutica e por outro lado combater a criminalidade, apoiar a natalidade e incentivar a fixação de pessoas oriundas de outros concelhos, são metas apresentadas pelo também advogado.
Desenvolver um “parque de estacionamento para autocarros turísticos no Centro da Cidade, sensibilizar o Governo central para a necessidade de mais efectivos policiais no concelho, maior intervenção junto dos proprietários dos prédios devolutos na cidade e que os novos prédios construídos ou aprovados fora do centro, não devam ter espaços comerciais no r/c”, são outras das recomendações deixada pelo presidente da ACCCRO aos deputados.
David Geraldes na função de coordenador da terceira comissão disse que a Assembleia Municipal deve dar parecer favorável ao pedido de localização do “Rainha Shopping”, desenvolvido pelo Grupo Sonae, apesar ter sido a CDU, única força política a votar contra.
Esta aprovação ficou ainda condicionada “à implementação por parte da Câmara de medidas que minimizem o impacto de mais uma grande superfície, junto do comércio tradicional, tendo como base as propostas apresentadas pela ACCCRO”, esclareceu David Geraldes.
Jorge Sobral do partido socialista pediu apenas para que a ACCCRO “tome uma posição na defesa da modernização da Linha do Oeste e ainda na defesa da localização do aeroporto na Ota”, porque “as instituições aliadas são fundamentais e saem a ganhar com estes dois projectos na região”, argumentou.
Manuel Nunes, deputado socialista compareceu um ano depois para cumprir o seu mandato pediu para os dirigentes da ACCCRO “sejam exigentes” com a autarquia, mas aconselhou para que a Associação faça “protocolos com outras instituições para além de fazer calendarizado e orçamentado com a Câmara”, dando mesmo como exemplo “encontros com a Sonae Sierra”.
O socialista
Por outro lado Fernando Costa, presidente da Câmara confessou que “foi apanhado de surpresa”, pelos dados apresentados pela ACCCRO, apontado que a cidade é segura até porque “gastamos este ano cem mil euros em promoção televisiva das Caldas”, disse.
Sobre as propostas dos dirigentes da Associação Comercial deu a entender que são boas, mas será ele a decidir, tendo em conta que a construção do Centro Comercial “é conflituosa com o Centro de Saúde e vai agravar a circulação na rotunda, com a ponte sob o caminho-de-ferro e com o cruzamento da cadeia”, entendendo que as contrapartidas em cerca de um milhão de euros devem passar pela “construção de um novo viaduto junto à passagem do Campo e um novo Centro de Saúde para a cidade”, alegou, não explicando o que acontecerá ao actual edifício do Centro de Saúde e ao seu terreno.
Carlos Barroso
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