sexta-feira, novembro 02, 2007

Comitiva no Huambo na cidade das Caldas para levar ideias para recuperar a Província Angolana

Durante dez intensos dias esteve nas Caldas da Rainha, no âmbito do acordo de geminação, uma delegação da Província do Huambo, na tentativa de levar daqui algumas experiências que ajudem na reconstrução politica e administrativa daquele território.
Paulo Capunda, administrador adjunto do Município do Huambo começou por agradecer aos Amigos do Huambo e à Câmara das Caldas, “pela oportunidade de vir conhecer e adquirir conhecimentos, numa oportunidade única”, para a Província do Huambo, revelou ter conseguido “trocar impressões no domínio de urbanização, do saneamento básico, institucional e fundamentalmente no funcionamento e constituição da Câmara”.
Para este responsável, a visita de trabalho interessou-lhe bastante tento em conta que o país prepara-se para este modelo das autarquias e por isso “agradou-nos bastante ver como as Caldas da Rainha funcionam”.
Dos quadros técnicos que integraram a delegação angolana, destaca-se João Bange, chefe da secção dos serviços sociais, educação, saúde e cultura, desporto, Paulo António da área de estudos, planeamento e estatística, António Evaristo, responsável pelos serviços de fiscalização e serviços comunitários, e Juventina Salomé, responsável pelos cadastros, que “recolheram o necessário para começarmos a reflectir sobre as matérias”.
Paulo Capunda confessou ter ficado impressionado com a visita a um centro de formação profissional, porque “neste momento o que nos preocupa, é, o emprego para os jovens, porque nem sempre o Estado tem a capacidade de dar resposta ao emprego dos jovens”, confessou.
“Quando a área da formação profissional funciona adequadamente, os jovens adquirem conhecimentos e podem construir os seus serviços. Vamos discutir essas modalidades e tentar formar jovens aqui”, ambiciona.
A nível da educação os materiais didácticos são outras das carências que demonstraram e que tentam levar para o Huambo em ajudas.
O Centro de Artes também interessou a comitiva, assim como o domínio agrícola, tendo em conta que a principal actividade na Província do Huambo é o sector primário.
Ainda assim o administrador adjunto do Município do Huambo, quer que a área industrial “seja vasta na pequena indústria”, mas quer em breve “reconstruir a grande industria que foi destruída pela guerra”.
Outra das metas e objectivos desta visita é construir “Huambo cidade ecológica”, onde foram “retiradas algumas experiências das Caldas” e solicitando para que uma delegação caldense “possa se deslocar” à província angolana para “dar formação e transmitir conhecimentos”, ao invés de movimentar uma delegação para Portugal.
Para Nicolau Borges, vereador da oposição, a comitiva do Huambo teve a oportunidade de ver o funcionamento político e administrativo da Câmara, além de lhes ter sido explicado “qual o papel da oposição”.
“Foi-lhe contado de uma forma directa aquilo que fazíamos e o que não fazíamos dentro da democraticidade na Câmara, numa acção altamente pedagógica e didáctica”, confessou o vereador.
Já a vice-presidente da autarquia, Maria da Conceição, referiu que a comitiva teve particular interesse na área do urbanismo e do planeamento, mas também a área social.
Das visitas efectuadas, os enviados visitaram os museus, escolas e parques desportivos, além de terem visto infra-estruturas ligadas à juventude e à parte industrial e comercial do concelho.
“Estão a recolher dados para terem algum modelo e terem algumas informações para construírem a organização politica”, disse a também vereadora da cultura e acção social.
Segundo Maria da Conceição as maiores duvidas da comitiva incidiu-se na parte administrativa, “porque perguntaram muitas vezes onde é que a Câmara é responsável, onde vais buscar dinheiro, de que forma, até onde pode intervir, onde começa a responsabilidade da autarquia e onde começa a responsabilidade do Governo Central e de onde vêem as verbas”, confessou.
A parte da Associação Municípios e da Comunidade Urbana, “não lhes foi explicado nada”, contudo visitaram a AIRO onde lhes foi apresentado o sector da indústria.
Quanto a possíveis contactos com empresários, a vereadora contou que ainda não foi esse o objectivo, já que o Huambo, “é das províncias com mais problemas, mas com mais potencial”.
Uma das áreas que não foi abordada com grande intensidade, mas será dentro em breve, será a agricultura.

Carlos Barroso

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