quinta-feira, novembro 08, 2007

Radiações abaixo dos limites nas Caldas e no país

“A zona das Caldas da Rainha é tão boa ou tão mau como a dos restantes panoramas que encontramos em outros municípios. A nível de radiação os níveis estão abaixo dos máximos e não há problema nenhum”.
A afirmação é de Luís Correia, professor do instituto superior técnico e dá disciplinas de telecomunicações e telecomunicações móveis, e responsável pelo projecto MonIT que a Câmara Municipal das Caldas protocolou.
MonIT é um projecto de comunicação de risco, onde está englobado um portal com toda a informação básica, acções de formações directas com a população e as medidas de radiações.
Este projecto visa essencialmente medições em escolas, hospitais, jardins, centros comerciais, aeroporto, metro, locais de conferências e outros locais públicos.
As medições podem ser feitas através de remoto, através de uma sonda que mede as frequências de radiações largas continuamente.
Este aparelho é auto-suficiente porque tem painéis foto voltaicos e tem ainda um aparelho que recebe a informação e que depois a emite para um técnico em Lisboa. Estes aparelhos não medem os campos electromagnéticos dos sistemas de energia.
O outro aparelho, uma sonda de medição portátil, destina-se a realizar medições junto das antenas. COM este aparelho todo o país foi abrangido em 432 locais, apesar de existirem mais de 12 mil antenas de telemóveis espalhadas pelo país.
Segundo os valores apresentados das medições das radiações electromagnéticas realizadas em vários pontos das Caldas da Rainha pelo Instituto de Telecomunicações (IT) no âmbito do projecto monIT “em todos os locais medidos os valores estão abaixo dos máximos recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS)”, acrescentou o responsável.
A explicação do professor do Instituto Superior Técnico foi no sentido de objectivar a medição e monitorização de radiações electromagnéticas, justificadas pelos valores apresentados das medições feitas na Escola Secundária Raul Proença, no edifício dos Silos no Bairro Azul, no edifício da Câmara Municipal e no quartel dos Bombeiros das Caldas da Rainha. Foram ainda feitas duas medidas com um equipamento portátil na Foz do Arelho e na confluência das Avenidas da Independência Nacional e 1º de Maio.
Todas as medidas registadas nas Caldas “estão abaixo do recomendado e ainda estão 50 vezes abaixo do valor pelo qual pode haver algum risco e recomendado pela OMS”, frisou o responsável pelo projecto.
Porém, dos pontos fixos o que obteve o valor mais próximo do permitido situam-se na Escola Raul Proença e nos Bombeiros no âmbito de medições do campo eléctrico, com níveis de 32 vezes abaixo do permitido. Quanto a radiações de densidade de potencia, os valores situam-se a 100 vezes abaixo do permitido. Estes equipamentos “são colocados em pontos de radiação das antenas que emitem preferencialmente ondas horizontalmente, e em locais de máxima exposição à radiação”.
Também nas medições registadas com o aparelho portátil, registaram radiações 32 vezes abaixo do permitido, na zona das confluências das Avenidas, já que esta medição é feita entre os 18 a 150 metros de distância das antenas.
Para Luís Correia “não há perigo estar debaixo de uma antena”, quando questionado sobre os equipamentos nos topos dos edifícios.
“As pessoas não se devem aproximar entre um a três metros, já que estarão expostos a um campo electromagnético superior ao máximo recomendado. Todavia as pessoas que estão nos prédios não correm risco, porque as antenas radiam essencialmente na horizontal. A radiação que vai para dentro dos prédios é mínima, até porque o cimento e ferro atenuam a radiação”, justificou explicando que “as pessoas que estão nos prédios em frente tem valores superiores aos que estão no prédio com a antena, mas ainda assim os níveis são muito baixos”, disse.
Na cidade das Caldas as primeiras medições foram feitas em Julho e durante três meses e os resultados podem ser consultados e confirmados em
www.lx.it.pt, onde estão também as 121 medições em pontos fixos já realizadas.
Luís Correia confirmou também que os dados apresentados nas Caldas como noutros pontos do país, “estão abaixo do permitido”, levando-o a ainda exemplificar, com o auxílio dos telemóveis dos jornalistas presentes, uma experiência.
“Os telemóveis quando não estão em comunicação não radiam, mas quando estão em funcionamento (chamada) a radiação está abaixo do permitido por Lei”.
O professor do Instituto, deixou ainda um alerta que a emissão das antenas de sinal de rádios e de TV “é mil vezes superior às antenas de telemóveis”, acrescentando ainda que os repetidores desses sinais “são também piores do que as antenas de telemóveis”.
Esta afirmação vem acalmar algum alarmismo sobre as antenas de telemóveis, mas levanta outro sobre antenas que poderão provocar malefícios e que não se fala muito delas.
Com estes dados as preocupações dos possíveis efeitos nocivos da exposição às radiações, levou o presidente da Câmara, Fernando Costa a dizer que “queremos fazer tudo a favor da população”, mas deixou o recado para que “a população não se alarme”.
"Tem havido nos últimos tempos um alerta para esta questão da radiação e muitas vezes a população exalta-se, por isso, nada melhor que o serviço de um instituto público credível para fazer uma análise séria destas matérias", disse Fernando Costa aos jornalistas.
Fernando Costa recusou ainda fazer uma acção de esclarecimento junto da população com os técnicos do projecto Monit, apesar do protocolo assinado, justificando que os resultados “não são alarmantes”.
“Julgo que a melhor sessão de esclarecimento para toda a população são os dados que os senhores acabam de colher aqui pelas experiências tecnicamente. Com estes resultados tenho menos dúvidas”, concluiu.
Confrontado com a situação da antena na Foz do Arelho o autarca afirmou claramente que “estou mais preocupado com questões de saúde publica do que com questões de estéticas”.

Carlos Barroso

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