Mais de uma centena de idoso, com mais de 65 anos de idade assistiram no auditório do Stella Maris em Peniche a uma peça de teatro inédita, onde foram abordados vários aspectos relacionados com a segurança da comunidade.A encenação contou com a colaboração de todos os 65 elementos do grupo de teatro “O Nazareno”, que abordaram furtos por carteiristas em locais de grande concentração de pessoas, burlas em casa e na via pública. Após as encenações teatrais, houve tempo ainda para um esclarecimento por um agente, sobre os conselhos de prevenção tendo em conta este tipo de ilícitos criminais.
Jorge Martins Comandante da Esquadra da PSP de Peniche, contou em exclusivo ao JORNAL das CALDAS que esta acção “surgiu após a primeira acção não ter tido os resultados desejados e como não somos rapazes de desistir à primeira lembrei-me desta situação do teatro. Para tal contamos com o impacto deste grupo de teatro bastante conhecido e ligado à paróquia, aproveitando este prestígio e conhecimento para fazer a acção destinada à comunidade risco”.
Jorge Martins relatou ainda que “há um ano atrás tentamos fazer uma acção do género com recurso à polícia, na esquadra da polícia, onde foram feitos convites individuais e éramos os mesmos sete polícias, mas só estavam duas senhoras para assistir aos conselhos que estávamos a dar. Ainda assim não deixamos de dar conselhos”.“Hoje tivemos aqui mais de uma centena de pessoas e estamos claramente contentes com esta adesão. Esta é também uma função da polícia, de ensinar, informar, formar a população em geral”, disse.
Desta vez como as coisas correram como esperado, surgiram já os primeiros convites, com foi o caso de uma encenação na Serra D’el Rei “para apresentar esta peça, numa área rural do concelho” e zona de intervenção da GNR.
Para o comandante da PSP de Peniche ir para outros locais fora do concelho dependerá sempre do comando de Leiria e a Direcção Nacional, instituições que “não irão levantar qualquer tipo de obstáculos, porque o que está em causa é a segurança da população”, declina.
Este espectáculo, especialmente direccionado para “o grupo de risco”, que são as pessoas idosas e apesar de ao longo do ano, através dos programas, Policiamento de Proximidade e Apoio ao Idoso, os agentes vão acompanhando “os casos concretos”.
“Não temos de desconfiar de toda a gente. Na duvida devemos receber a pessoa, mas à cautela deve-se pedir a ajuda de um vizinho ou a um familiar para acompanhar a conversa, porque se o burlão vir junto dele uma pessoa mais nova, já fica de pé atrás e até pode desistir do objectivo dele” explica Jorge Martins.
O crime mais corriqueiro é dos carteiristas e por esse motivo os agentes deram “conselhos muito simples” de como se deve levar e transportar a mala e que tipos de objectos devem levar.“Ter o mínimo de objectos possíveis se for para locais onde exista uma grande aglomeração de pessoas. Transportar poucos documentos e uma quantia monetária. As pessoas devem ter a ideia daquilo que vão à procura e por isso devem levar o dinheiro estritamente necessário para a aquisição desses bens e assim minorar os efeitos se forem vítimas de um carteiristas”, enumerou.
As quatro encenações apresentadas em partes de quinze minutos cada, contemplaram a “Venda Forçada” onde a Dª Antónia e o seu marido, o Sr. Manuel receberam um telefonema em casa por parte de um representante de uma qualquer empresa a informá-la que acabava de ganhar um prémio devendo para tal comparecer num determinado local para o receber.
Uma vez na reunião, a Dº Antónia acaba por adquirir contra sua vontade um colchão ortopédico no valor de uns milhares de euros.A segunda situação simulada, representa a Dª Maria que estava sozinha em casa e é contactada por um desconhecido que se faz passar por um técnico das finanças ou da segurança social, e com o pretexto de uma revisão da reforma consegue entrar na habitação.
Entre uma conversa, o burlão vai solicitando vários documentos. Durante esse vai e vem o “técnico” consegue apoderar-se de dinheiro e de alguns objectos em ouro.
O terceiro episódio representa o altruísta. O Sr. Joaquim é abordado na via pública por alguém que não reconhece, mas que aparentemente é seu conhecido porque o autor monstra conhecer alguns episódios da sua vida.
Durante essa conversa, eis que o “velho conhecido” revela que é portador de uma enorme quantia em dinheiro destinada a entregar a uma instituição de solidariedade social de Peniche por indicação do seu falecido pai. Por azar a instituição está encerrada.
Como o bom “samaritano” o burlão acredita na honestidade do Sr. Joaquim e confia-lhe a grande quantidade de dinheiro até ao dia seguinte. Contudo, como prova de boa fé o Sr. Joaquim deve fazer-lhe entregar um sinal de 500 euros o que lhe parece ser suficiente.No dia seguinte o Sr. Joaquim confirma que o embrulho de notas, afinal não era senão um embrulho de velhos jornais e fotocópias de notas.
A última encenação, e mais frequente na zona de Peniche, decorre no cenário na Feira Mensal, com os carteiristas.
A Dª Felismina é uma frequentadora assídua da feira mensal de Peniche e como muitas pessoas prefere particularmente as bancas com roupa barata.
Naturalmente, na feira, essas são as bancas que apresentam sempre um grande número de pessoas à sua volta e são os locais ideais para um crime de furto de carteira.
A juntar tudo isto a Dª Felismina é também um pouco distraída e enquanto puxa por uma camisola aqui, uma saia ali, não dá conta que alguém lhe está a mexer na mala que traz a tiracolo. Em resultado dessa azáfama quando vai para pagar aquilo que escolheu, repara que foi roubada a sua carteira.
Estas encenações não foram de difíceis de transformar, segundo Ricardo Rodrigues, coordenador do Grupo de Teatro “O Nazareno”.“Até pensei que inicialmente era difícil mas foi fácil. Foi uma grande surpresa para nós porque rapidamente cada um de nós assumiu o papel que tinha de fazer. Em apenas três ensaios montamos os quatro actos”.
O coordenador do grupo confessou que também “nunca tivemos um trabalho destes para encenar”, apesar de todos os anos representarem a peça da Páscoa.
Com este desafio, Ricardo Rodrigues considera que o grupo “têm aqui a possibilidade de participar noutras iniciativas que possam surgir. É uma acção social importante porque contribuímos para uma sociedade mais segura”.
Fora de hipótese para já está colocar esta peça em cartaz, embora o grupo esteja receptivo a encenar noutros locais “se formos solicitados pela PSP e conforme a nossa disponibilidade”.
Carlos Barroso
Fotos
1 Jorge Martins explica a acção e dá alguns conselhos à população de risco
2 o agente mostra como um carteirista pode retirar as carteiras das mochilas e malas
3 em pleno mercado o carteirista ataca a vitima agindo em grupo
4 depois de ter dado dinheiro o burlado vê que o embrulho apenas tem papeis e fotocopias de notas
5 uma vez burlada as vitimas em casa sozinhas nada podem fazer
6 o burlão consegue distrair as vitimas dentro das suas casas para roubar o que consegue
1 comentário:
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