Os bombeiros das Caldas da Rainha querem ter mais uma viatura do INEM para garantir mais segurança e socorro no concelho e fora dele.A intenção foi transmitida, pelo presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha, (AHBVCR), Abílio Camacho.“Nós vamos falar com o representante do INEM para termos um segundo carro, porque de facto temos um carro do INEM e ainda duas reservas, que são carros da Associação e que estão sempre em serviço”.“Nós queremos pelo menos mais um carro porque é de extrema importância para os bombeiros e para a população do concelho e fora dele”, salientou.Esta posição surge depois do volume de emergências pré-hospitalares ter vindo a aumentar, assim como o número de deslocações a concelhos limítrofes para socorrer essas populações que “agora não tem serviços hospitalares abertos ou então foram reduzidos”, como são os casos de Bombarral, Óbidos e Peniche..Além desta intenção, Abílio Camacho quer ainda rever o pagamento feito pelo INEM aos bombeiros.“Estão a pagar o que foi acordado, mas só sei que os pagamentos vêem tarde e a más horas e o INEM passeia com esta situação. Nós temos de ter os funcionários, temos de ter reservas, porque o INEM apenas dá um carro que quando precisa de manutenção temos de meter os nossos carros a fazerem esse trabalho”, queixou-se.Para o presidente da AHBVCR, as Associações de Bombeiros “estão a ser prejudicadas com esta posição do INEM”, já que também na parte dos consumíveis o que é dado pelo INEM não chega para as ocorrências.“Os consumíveis que o INEM dá, não chega uma quarta parte daquilo que se gasta. É certo que em algumas ocorrências o material que o INEM chega e sobra, mas em outras ocorrências não chega, porque temos serviços 24 horas por dia e aquilo que nos dá não chega, para todas as ocorrências e quem suporta esse excesso é a Associação”, relatou.Entretanto, José Ferreira, presidente da Federação Distrital dos Bombeiros de Leiria (FDBL), revela também que por cada saída que os bombeiros fazem com a ambulância do INEM, designada por Posto de Emergência Médica (PEM), o valor pago pelo instituto é “insuficiente” para suportar os custos com a compra dos consumíveis (luvas, máscaras e lençóis das macas).“O INEM paga-nos um euro, mas para comprarmos todos os consumíveis usados nesse socorro gastamos 1,40 cêntimos, ou seja, perdemos 40 cêntimos em cada deslocação. É uma situação inconcebível”, lamenta José Ferreira.De acordo com José Ferreira, no protocolo assinado entre o INEM e a Liga dos Bombeiros Portugueses, a responsabilidade de fornecer os consumíveis utilizados nas ambulâncias cabe ao INEM, mas essa rubrica nem sempre foi cumprida. “O INEM nunca nos repôs a quantidade de consumíveis que gastámos nos socorros, ou seja, se eram necessárias, por exemplo, 100 luvas, só mandavam 50”, critica o presidente da federação, adiantando que as 12 ambulâncias que o INEM tem nas suas corporações de Alcobaça, Bombarral, Batalha, Caldas da Rainha, Leiria, Marinha Grande, Pombal e Porto de Mós “são insuficientes para os pedidos de socorro de emergência”.Segundo dados revelados por José Ferreira, só em 2006 os bombeiros do distrito foram chamados a intervir em dois mil acidentes de viação e a efectuar 40 mil serviços de emergência médica.Contudo a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) já chegou a acordo com o INEM (serviço afecto ao Ministério da Saúde) para o novo modelo de financiamento.No novo protocolo celebrado recentemente entre as duas partes, que entrará em vigor em Janeiro de 2008, a LPB conseguiu um aumento para o dobro da verba para pagamento dos ordenados aos tripulantes, ou seja, passa dos 3,241 euros para os seis mil euros. As corporações que prestam entre 1.200 e 7.500 serviços de emergência recebem 7.500 euros. Aquelas cujo número é superior a 7.500, a verba dispara, para os 10 mil euros.Em contrapartida, a verba recebida por cada saída baixa em todos escalões, determinados pelas distâncias percorridas pelas ambulâncias em cada serviço. Se a deslocação de ida e volta for inferior a 15 quilómetros, uma ambulância com tripulante socorrista passa a receber cinco euros, quando antes recebia 6,2. Caso a distância percorrida seja de 100 quilómetros, a verba passa a ser de 35 euros, baixando dos anteriores 56,7.No que respeita aos consumíveis, a média do aumento em cada um dos escalões é na ordem dos 17 por cento.“Consideramos que foi um salto qualitativo para podermos prestar o socorro de emergência com mais qualidade”, afirma Duarte Caldeira, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, ao Diário de Leiria.O novo protocolo com o INEM prevê ainda a revalidação da rede de ambulância do INEM distribuídas pelas várias corporações, um eventual reforço de viaturas, incluindo o distrito de Leiria, e a realização de mais acções de formação a Tripulantes de Ambulância de Socorro (TAS).Carlos Barroso
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