O director e proprietário do jornal online Tinta Fresca é acusado de difamação agravada por ter escrito um editorial, alegadamente difamando o presidente da Câmara Municipal de Óbidos, em 2005, na altura em que se falava da localização da Escola de Turismo e Escola de Conservação e Restauro.O editorial do também professor, publicado na edição número 52 do portal, em Fevereiro de 2005, colocava muitas insinuações que levaram Telmo Faria a mover vários processos, mas que o Tribunal de Caldas apenas julga um por difamação agravada.A segunda sessão deste julgamento está marcada para o dia 4 de Julho, onde devem ser ouvidos, entre outros, um vereador da Câmara de Alcobaça eleito pela CDU, um eleito pela CDU na Assembleia Municipal de Alcobaça, assim como a secretária do jornal Tinta Fresca e ainda um jornalista.Nesta primeira sessão foram ouvidos Mário Lopes, como arguido, que tentou provar que não escreveu o documento no intuito de prejudicar o político. Também Telmo Faria foi ouvido, na qualidade de ofendido, tendo vincado que quer saber com este processo onde começa e acaba a liberdade de imprensa.De realçar que o autarca não pede qualquer indemnização e também não apresenta qualquer testemunha. Do lado de Mário Lopes, depôs nesta primeira sessão o ex-vereador da Câmara das Caldas, Jorge Mangorrinha, que em tempos teve ligações com a autarquia de Óbidos sobre a sua candidatura a Património Mundial, mantendo no entanto uma colaboração de colunista regular com o portal Tinta Fresca.Em causa em todo este processo estão afirmações e interrogações descritas no editorial do Tinta Fresca quando este descreve “para que quer o Dr. Telmo Faria esta escola em Óbidos que só formará licenciados dentro de muitos anos? Para ter mão-de-obra barata, por via dos estudantes, para estes trabalharem de graça nesta candidatura, promovendo assim a sua carreira política? Será que o senhor presidente da Câmara de Óbidos pensa que todos são trouxas e que pode manipular toda a gente? Será que acredita que é o centro do Universo e que todos temos de trabalhar para promover a sua carreira?”.Mário Lopes confessou em Tribunal que “escreveu a frase”, alegando que “a expressão de trouxas é sinónimo de ingénuo e que em nada tem de ofensivo”.O director do portal alegou ainda que “qualquer obra promove um autarca”, mas o facto de Telmo Faria não ter ficado com a Escola “foi uma derrota política”, acrescentando que “os jornalistas não podem ser responsabilizados pelas derrotas políticas”.Sobre as expressões de “manipulador”, Mário Lopes descreve que foram proferidas relacionando-as com as obras que beneficiam a vida política e que “como jornalista tem o direito de fazer críticas”, num acto que considerou de “coragem”.Quanto ao lobie dos autarcas, o director do jornal enquadrou a expressão “pelas várias visitas de membros do Governo ao concelho de Óbidos”, mas também pelo facto de Telmo Faria “ter poder dentro do PSD nacional”, onde ocupava um lugar de vogal da direcção nacional.Por este motivo, o também professor referiu ainda que a Escola teria sido “aprovada em tempo recorde”, descrevendo ainda que o presidente da Câmara das Caldas, de Alcobaça e de outros municípios tinham sido críticos a esta decisão governamental.Por seu turno, Telmo Faria vincou por mais do que uma vez que se sentiu “insultado, ofendido e magoado” por o descreverem como “traficante de influências”.O presidente da Câmara de Óbidos avançou para este processo, porque “se o jornalista acha que isto é normal e que não fez mal em insultar as pessoas, então quero saber onde é o limite da liberdade de imprensa”, disse.Telmo Faria explicou ainda em Tribunal que possui um gabinete de imprensa na autarquia e que o jornalista nunca utilizou aquele meio para esclarecer aquela situação, realçando o relacionamento que tem com outros órgãos de comunicação social, locais, regionais e nacionais.Mário Lopes contrapôs ao afirmar que a partir do momento que foi escrito aquele editorial e o processo avançou que o jornal Tinta Fresca “deixou de receber informação da Câmara de Óbidos”, assim como “acabaram as relações comerciais” com a edilidade.Carlos Barroso
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